2.11.07

jessi malay ft yung joc – booty bangs

‘booty bangs’ concretiza o que a ainda inútil ‘so sick’ de natasha gostava de ser. jessi malay partilha com natasha uma voz tão fraca que quase não existe, mas consegue tirar partido disso. no meio de uma arquitectura sonora mais ou menos aparentada a ‘buttons’ das pcd, a mediação electrónica da voz de uma forma que esta quase se dissolve nos sintetizadores é um óptimo truque. e ao contrário de natasha, jessi consegue sacar uma atitude de teen petulante mais ou menos credível, o que torna linhas como one look at my hair and they ask ‘is it vidal sassoon?’ ainda mais engraçadas. não tinha reparado que o yung joc agora queria ser o ludacris, mas sempre é melhor do que usar o flow da ‘it’s going down’ em todos os cameos.

18.10.07

tinchy stryder – dance 4 now

mais uma prova, como se ainda fosse necessário, de que a funky house não está a matar o grime. considerando coisas como a ‘duppy’, ‘good old days’ de mercston/ghetto, a íncrivel tropical (o melhor lançamento da boy better know?) e toda a hotness 4/4 dos últimos eps de dexplicit (mesmo que ele nunca se tenha definido como um produtor grime), é na realidade uma das formas de estimular o género. ‘dance 4 now’ é o ponto alto do, no geral, satisfatoriamente grimey star in the hood. o único senão é que tinchy parece ter perdido o elemento aggro da sua voz que o tornava num mc tão excitante de ouvir, especialmente comparando com algo como ‘tingz in boots’.

16.9.07

skepta ft chanel – fly away

na véspera do lançamento do infinitamente adiado greatest hits de skepta, aqui fica uma das várias músicas que ficaram de fora da versão final. neste caso é previsível que isso tenha acontecido, visto que dificilmente faria sentido no contexto do álbum mas não fazia mal nenhum aparecer como bónus, na tradição da maioria das edições bbk. de qualquer forma, ‘fly away’ é possivelmente o mais conseguido momento rng. é o ponto onde por uma vez as cascatas de efeitos se encontram com aquilo que se pode considerar uma canção, devastadora e devastada mas retendo uma dignidade elegante. também não incorre no erro de ter um mc de 3a divisão a dar a desnecessária perspectiva masculina. como tantos clássicos secretos rng, ‘fly away’ nunca teve uma edição decente, excluindo a inclusão na excelente rwd aaa mixtape de logan sama, ficando relegada ao mundo dos radio rips e programas do cameo.

4.9.07

britney – gimme more

enquanto statement of intent é difícil ser-se mais efectivo e directo do que ‘it’s britney, bitch’, mesmo que nada no resto da canção tenha a mesma verve dessa linha de abertura. mas o momento mais satisfatório acaba por ser a outro, com o rolar dos créditos finais narrados por danja, possivelmente para aproveitar o fetiche do produtor, deixando assim uma marca autoral inequívoca. gosto do facto de que aqui ele parece o derrick carter a falar.

suponho que seja uma coisa boa que se tenha deixado de fingir que o timbaland ainda é responsável por alguma coisa que não o adlibbing mais irritante de que há memória. danja também fica mais vulnerável já que será sobre os seus ombros que recairá o peso dos falhanços, como até certo ponto é o caso de ‘gimme more’. mesmo assim, ‘give it to me’ ainda conseguiu enganar quase toda a gente.

1.9.07

The Veronicas - Hook Me Up

As Veronicas pousaram as guitarras e entrançaram as madeixas sombrias e electrónicas de "Tainted Love", "Blue Monday" e "Sweet Dreams". Faz-se concordância com o ar vagamente apático e contornado a traço preto que se lê na letra, onde se cruzam a insegurança de "Everything I’m Not" e a componente fuck-it-let’s-fuck de "4ever". Simples e directos, os versos são inesperadamente eficazes e um dos principais triunfos do tema, encontrando um discreto apogeu quando uma das gémeas canta "I wanna feel the rain in my hair".

30.8.07


Tantas pontas soltas e ausência de finais decentes em produções da equipa Xenomania para as Girls Aloud só poderão querer picar o ouvinte e provocar estados de insaciabilidade, obrigando-o a voltar atrás para tentar compreender o que raio acabou de lhe passar pelos ouvidos.

"Sexy! No No No..." serve-se do velho truque Xenomania de criar mini-orgias entre diferentes canções e de encaixá-las numa só. Mas se dantes usavam retalhos de canções potenciais, agora vasculham o catálogo das Girls Aloud à procura de auto-inspiração onanista, algo que já acontecera em "Something Kinda Oooh". Aqui recuperam o monstro sónico de "Wake Me Up" (e respectiva ultra-compressão sonora), o bom uso de uma introdução de "Wild Horses", alguns trilhos instrumentais de "Long Hot Summer", a toxicidade e decadência de "Swinging London Town" e as contusões e a g-g-gaguez simulada de "Graffitti My Soul" e "Money".

O segmento que introduz o tema chega numa máquina do tempo e tem ar de épico, com um vocoder a atrelar sílabas em solavancos, anunciando algo que não tem absolutamente nada a ver com o resto da canção. Cai depois em vertigem para o que de mais próximo existe aqui de um refrão (na verdade, ou não existe refrão nenhum ou existem vários), uma implosão com girl talk ao estilo de girl groups antepassados como as Shangri-Las. Parecem também ter feito uso de jingles que ainda estão no consciente colectivo como os "no no no" de Amy Winehouse (aqui em versão cheeky à la Betty Boo) ou os desdobramentos silábicos de "Umbrella" de Rihanna (encarnados nos "yeah-eah-eah").

A longo prazo não se sabe quão alienantes serão estas justaposições caóticas. Na verdade não fazem grande sentido, mas estão em correspondência com a era da hiperactividade, da hipertensão, dos hipermercados e das hiperligações.

23.8.07

fantasia ft young jeezy – when i see u (polow da don rmx)

para a sua versão de ‘when i see u’, polow da don opera de forma semelhante à sua brilhante rmx de ‘fallen’ de mya, tornando uma discreta (e já de si excelente) canção de amor numa produção anormalmente maximal. o efeito é de ampliação do seu impacto, especialmente no pico dramático de ‘something now is taking over me’, com a voz de fantasia quase a ser engolida pelo turbilhão de sintetizadores. a introdução de polow da don é também chave, estabelecendo um arco narrativo que dá à canção um significado novo (ou mais claro). o verso de young jeezy até poderia servir para alguma coisa se não fosse tão vago, desperdiçando a hipótese de dar uma resposta a polow, mas isso é irrelevante. peerless.

18.8.07

pitbull ft lloyd – secret admirer

depois das excursões pelo freestyle, samplando debbie deb em ‘fuego’ de el mariel e mais recentemente na recuperação de ‘spring love’ de stevie b, pitbull dá o próximo passo mais lógico. para ‘secret admirer’, convoca lloyd que vai sacar o refrão a ‘my boo’ dos ghost town dj’s (por vezes a melhor canção alguma vez escrita e não é uma hipérbole). fico sempre convencido que ele vai mesmo dizer ‘i want to be your lady’!

17.8.07


j holiday – bed

para o responsável por ‘fantasy’: é assim que se faz um rip-off da ‘promise’, especialmente quando ainda se tem o arrojo de cantar a ‘umbrella’ por cima. aqui falava-se do ‘salto de fé’ necessário lançar algo como ‘umbrella’, que é exactamente o que passa com este mash-up conceptual.

16.8.07

cassie - is it you

afinal cassie não foi dispensada da bad boy e por entre cameos em vídeos do kanye west e filmagens do ‘step up 2’, até arranjou tempo para gravar mais uma canção nova e aparentemente também há um álbum novo a caminho.

‘is it you’ expõe mais uma vez a laboriosidade de ryan leslie nas suas produções, indo pelo minimalismo ‘me & u’ nos versos com apenas uma guitarra quase amadora e palmas, introduzindo um piano discreto na ponte e sacando de todas as armas para o refrão e breakdown. enquanto aproximação ao rock é certamente mais bem sucedida do que, por exemplo, ‘shut up & drive’ de rihanna. nenhuma possui uma voz especialmente boa do ponto de vista técnico mas conseguem tirar proveito do que têm. aqui, cassie tem o seu espaço e não está completamente submergida na instrumentação, que, ‘umbrella’ aparte, é o que sabota a primeira metade de good girl gone bad.

1.8.07

maino/deemi - summer time

de volta dentro de 2 semanas. talvez até para escrever sobre algumas das músicas ali à direita. holla

25.7.07

che’nelle ft baby cham – i fell in love with the dj

já com mais de 1 ano e meio, ‘i fell in love with the dj’ ganha uma segunda vida com a presença adicional de baby cham, contando agora com ambos os lados da narrativa. continua a soar tão bem como um versão fortificada de ‘reggae bump, bump’ de r kelly deveria e o melhor momento é ainda o breakdown reggaeton. seria uma candidata meritória ao crossover dancehall/pop deste verão se ‘whine up’ não tivesse já ocupado esse lugar.


nicole scherzinger ft t.i. – whatever u like

> não me lembro de tanta polémica quando o polow reciclou a rmx da ‘luxurious’ para a ‘glamorous’. se aí se justificava por ser “uma produção demasiado boa para ficar relegada ao trainspotterism rnb” (para me citar a mim próprio, eh), neste caso a música foi mais trabalhada, não sendo apenas de um copy-paste directo. o sintetizador-alarme é menos invasivo e não se tem que levar com o patois terrível da missy.

> a insistência na comparação com a ‘blindfold me’, embora obviamente compreensível, é exagerada, sobretudo quando usada para o argumento de falta de ideias. isto apenas significa que agora é mais fácil mapear os diferentes instintos do polow da don, quando há talvez um ano cada nova produção parecia desligada de tudo o resto.

> gosto de pensar que isto se trata de um pequeno tributo ao danja (cf. ‘easy’, ‘we takin over’), da mesma forma que ‘lemme get that’ se tratava deste a fazer uma vénia ao polow com um resultado notável, o que não se pode dizer de todos os que já tentaram o mesmo (‘fantasy’ no álbum do timbaland gostava muito de ser a ‘promise’ mas é possivelmente a pior coisa que ouvi este ano).

> para quem, como eu, nunca se deu ao trabalho de ouvir o álbum das pcd, a percepção foi destas terem seguido uma trajectória ascendente (não sendo díficil quando se começou tão mal), com picos em ‘buttons’ e ‘wait a minute’. ‘whatever u like’ é a apenas a concretização do potencial de estrela que nicole sempre evidenciou, depois da superior ‘come to me’, essencialmente uma canção dela e nunca comentada por ninguém. tem os seus defeitos, como os raps stefani-escos, mas a intenção passa.

> o polow da don continua a ser a melhor coisa a acontecer nos últimos três anos.

24.7.07

busy signal – saviour divine

os ritmos tribais/marciais no dancehall estão tão gastos que é difícil perceber porque é que continuam a ser tão dominantes. a verdade é que dão a tudo um ar ameaçador que reflecte as intermináveis histórias de beefs e drive-bys mas ninguém aprendeu nada com a ‘serious times’? portanto, é mais ou menos notável que ainda há quem consiga pegar nessa forma e obter um resultado não completamente desolador. mas tratando-se de alguém como o lenky isso não é muito surpreendente. aqui, o riddim tem uma estrutura mais desenvolvida que o que tem sido comum e, mais importante, há acordeões, que não me lembro de ter ouvido desde o chatt (três clássicos absolutos aí: mad cobra, spragga benz e, sobretudo, rekha). o busy signal continua a entreter mais do que qualquer outra nova voz (o buju banton tem sido também consistentemente excelente, mas não é o que se chamaria de um novato), especialmente quando a alternativa passa por alguém tão cinzento como o mavado.

1.7.07


2xl/lax – know better

‘forget you’ continua inexplicavelmente a elevar-se sobre a maioria das coisas lançadas em 07. aqui, este trio de jojos (só percebi que havia mais do que uma quando vi o vídeo) junta-se aos gémeos 2xl, que no single de estreia ‘kitty kat’ davam ares de pretty ricky caso estes se levassem a sério. felizmente, não estorvam muito e deixam o caminho livre para as lax. embora estejam 5 pessoas presentes, ‘know better’ é para todos os efeitos um dueto, onde o rapaz se queixa de todos os (falsos) pretextos usados para ele não partir. o acompanhamento instrumental está algures entre ‘ditto’ de cassie e ‘come back to me’ de vanessa hudgens e tal como esta última, a voz transporta a música de inclinação rnb para terrenos mais explicitamente pop.

22.6.07

r kelly - freaky in the club

de longe, a melhor coisa de double up que não é 'i'm a flirt'. quem é que quer saber de metáforas absurdas quando há este nível de perfeição quase casual? pontos extra por conter a segunda referência a 'flex' no espaço de poucas semanas.

18.6.07


katharine mcphee - open toes (extended mix)

com alguma dificuldade em perceber porque é que gosto tanto disto. superficialmente, é apenas danja a repisar território familiar, usando a bateria de ‘promiscuous’ e a brincar com sintetizadores como em ‘easy’ de paula deanda (agora com bow wow no lugar de lil wayne wtf) (numa nota aparte, ‘doing too much’ é secretamente um clássico e ‘walk away’ é uma das criações subvalorizadas de ne-yo). acaba por ser a vocalização que faz a música, com uma determinação fora do normal para quem está cantar sobre sapatos.

de certa forma, esta canção é o oposto da faceta mais visível da produção recente de timba/danja/quem quer que seja. ‘my love’, ‘ice box’ e ‘say it right’ têm certamente aspirações maiores em termos de impacto emocional mas o resultado final é completamente vazio, enquanto que ‘open toes’ consegue ser mais ressonante partindo de um assunto tão banal. no caso das duas últimas, o problema até é parcialmente resolvido noutras versões (rmx reggae para n furtado e versão com usher para omarion), não sendo coincidência que timbaland é eliminado em ambas. ele está a tornar-se numa influência tão perniciosa como o pharrell pós-03 (‘say it right’ original é quase insuportável).

9.6.07

07 até agora

top 10 por ordem decrescente, o resto aleatório

kelly rowland ft eve - like this
lax - forget you
r kelly ft t.i. & t-pain - i'm a flirt rmx
peedi crakk ft megan rochell - take me home
tiffany evans ft ciara - promise ring
rihanna ft jay-z - umbrella
megan rochell - heartbreak
lloyd ft lil wayne - you
t.i. - you know what it is
sadie ama - fallin

turf talk ft e-40 - i got chips
8ball & mjg - turn up the bump
rihanna - lemme get that
dude&nem - watch my feet
avril lavigne - girlfriend
pretty ricky - on the hotline
scorcher ft wiley - red light
fergie - big girls don't cry
diddy ft keyshia cole - last night
gwen stefani ft damian marley - now that you got it rmx

buju banton - driver
money mo ft yo gotti & gucci mane - trapaholic
young buck - get buck
wiley - stars
busy signal - get bright
rich boy ft polow da don - throw some ds
beyoncé ft young buck - green light rmx
crime mob - circles
ng ft baby katy & versatile - tell me
flo-rida ft rick ross - birthday

lloyd ft missy elliott & yung joc - get it shawty rmx
ne-yo - because of you
yung berg ft junior - sexy lady
beenie man - reverse di ting
giglez - ready
buju banton - better days coming
cassie ft ryan leslie - sometimes
tiffany evans - girl gone wild
r kelly - don't let go
m.i.a. - boyz

swizz beatz ft lil wayne, r kelly & jadakiss - it's me bitches rmx
hollow point - shampoo
skepta - stage show riddim
ugk ft outkast - international players anthem
gucci mane - bird flu
keri hilson - come clean
ciara - get up (polow da don rmx)
timbaland ft keri hilson & sebastian - miscommunication
gwen stefani ft akon - the sweet escape
baby boy da prince ft lil boosie - the way i live

1.6.07

cherish – keep it fresh

party like it’s 2004! depois do tributo a ciara que era ‘do it to it’, as cherish continuam a tentar manter o crunknb vivo com uma pilhagem mais ou descarada de ‘okay’, de tal forma que só falta sean p aparecer a qualquer momento (afinal já o tinha feito em ‘do it’), mas mesmo as quatro juntas não conseguem ter metade da personalidade de nivea. ainda há espaço para referenciar vagamente ‘oopdeewopdee’ das nss16 (esquecido pilar fundador do cnb), com aquele synth de brinquedo com falta de bateria. e mesmo assim, é difícil de lhe resistir, possuindo um charme genérico que não resulta sempre que se quer (cf. scott storch).

22.5.07


‘umbrella’, embora inegavelmente clássica, trouxe um certo sabor a desilusão, ampliado por ‘shut up & drive’, seguindo pela via omg fantastic pop, quando tudo o que era preciso era outra ‘if it’s lovin that u want’ ou uma ‘here i go again’. por isso, quase a meio de good girl gone bad, depois de 20 minutos de electro pop/rock anónimo que falha em aproveitar as qualidades de rihanna (e com coisas como ‘boom boom’, a excelente colaboração no álbum do baby cham, ou ‘break it off’, que assentava num riddim de don corleon, a parecerem cada vez mais distantes), ‘say it’ é quase um choque. a este ponto a última coisa que esperava era um versão de flex! neste contexto, uma canção reggae-rnb midtempo tão gentil e real como esta parece a melhor coisa de sempre.

‘lemme get that’ é a outra canção de nota, creditada a timbaland. essencialmente ‘bills bills bills’ via ‘hollaback girl’, com a percussão a soar melhor que a maioria das produções recentes ‘de’ timbaland (‘give it to me’ é especialmente ofensiva nesse aspecto).

(tangencialmente, há esta ‘roll it’, tão indecisa em relação ao que quer ser como ‘pon de replay’ o era. ainda não decidi se gosto. soou bem no outro dia na cidade, i guess)